A crescente adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas traz à tona uma questão crucial: como garantir que os investimentos nessa tecnologia sejam realmente eficazes e tragam o retorno esperado? Em um cenário onde os gastos com IA aumentaram 47% de 2025 para 2026, conforme dados do Gartner, a pressão sobre os CEOs para justificar esses investimentos é intensa. Durante o Fórum CEO Brasil 2026, Laura Kroeff, vice-presidente de Estratégia e Impacto da Box 1824, apresentou uma metodologia inovadora que se propõe a medir o retorno sobre o investimento em IA de maneira mais assertiva, ajustando as métricas tradicionais à nova realidade da era cognitiva.
Uma nova abordagem para medir o ROI da IA
A proposta de Laura Kroeff se baseia na ideia de que as empresas precisam evoluir suas formas de mensuração, especialmente em um contexto onde as métricas da era industrial já não são mais suficientes para capturar a complexidade da transformação digital. A palestrante trouxe à tona a "Curva J", um conceito que ilustra como os ganhos com a adoção da IA podem não ser imediatos. Inicialmente, a produtividade pode cair enquanto as equipes se adaptam à nova tecnologia. Contudo, com o tempo, essa curva se inverte à medida que os colaboradores começam a extrair valor da IA.
Durante a apresentação, Laura enfatizou que a adaptação é um fator crítico a ser considerado na avaliação do retorno. "Estamos lidando com uma tecnologia que não apenas automatiza processos, mas também transforma a maneira como as empresas operam e se relacionam com seus clientes", disse ela. Para isso, a Box 1824 desenvolveu uma metodologia que avalia quatro dimensões do retorno sobre o investimento: produtividade, experiência, futuro e responsabilidade.
Implicações para o setor e desafios enfrentados
A nova metodologia tem o potencial de transformar a forma como as empresas encaram a implementação de soluções de IA. Ao dividir o ROI em quatro dimensões, a Box 1824 propõe uma visão mais holística do impacto gerado por essas tecnologias. Na dimensão de retorno sobre produtividade, as organizações são incentivadas a analisar não apenas a redução de custos, mas também a eficiência dos recursos e a automação de processos. Isso representa uma mudança significativa, pois muitas vezes as empresas se concentram apenas na economia imediata, sem considerar os benefícios a longo prazo.
Além disso, a dimensão de retorno sobre experiência oferece uma nova perspectiva ao considerar o impacto da IA na satisfação dos colaboradores e na experiência do cliente. Isso é particularmente relevante em um mercado cada vez mais competitivo, onde a experiência do usuário pode ser um diferencial crucial. Ao focar na experiência, as empresas podem não apenas melhorar a retenção de talentos, mas também aumentar a lealdade dos clientes.
A terceira dimensão, retorno sobre o futuro, destaca a importância de investir em inovação e diferenciação, mesmo que os resultados não sejam imediatos. "As empresas precisam pensar à frente, considerando como suas iniciativas de IA podem fortalecer sua reputação e inovação a longo prazo", ressaltou Laura. Essa visão prolongada é essencial em um ambiente onde a tecnologia avança rapidamente e as expectativas dos consumidores estão em constante evolução.
Por último, a dimensão de retorno sobre responsabilidade aborda questões críticas, como impactos sociais e ambientais, além de riscos cibernéticos. Em um mundo onde a responsabilidade corporativa está se tornando cada vez mais importante para os consumidores, essa dimensão oferece às empresas uma oportunidade de se posicionarem como líderes em sustentabilidade e ética.
O que está por trás da evolução das métricas de ROI
A necessidade de adaptar as métricas de ROI à era cognitiva não é apenas uma questão de modernização, mas uma resposta às mudanças profundas que a tecnologia está promovendo no ambiente de negócios. A pesquisa do Boston Consulting Group, mencionada por Laura, reforça a ideia de que a capacidade dos CEOs de manterem-se em seus cargos está diretamente ligada à sua habilidade em gerenciar e demonstrar o retorno dos investimentos em IA.
Este cenário destaca um desafio significativo: a resistência cultural dentro das organizações. Muitas empresas ainda operam com mentalidades e processos que datam da era industrial, o que pode dificultar a adoção de novas métricas e abordagens. A resistência à mudança é um fenômeno comum em grandes corporações, onde estruturas rígidas e hierarquias podem inibir a inovação.
Para superar essa barreira, as empresas precisam investir em capacitação e na criação de uma cultura que valorize a experimentação e a adaptabilidade. "É fundamental que as equipes construam um business case para cada solução de IA desde o início, projetando resultados esperados e dimensões de retorno a serem acompanhadas", defendeu Laura. Essa abordagem proativa pode facilitar a aceitação das novas métricas e garantir que todos os stakeholders estejam alinhados com os objetivos de longo prazo.
Tendências e próximos passos na adoção de IA
À medida que o mercado se adapta a essa nova realidade, algumas tendências emergem. A primeira delas é a crescente importância do papel do CEO e do CTO na governança de iniciativas de IA. A metodologia proposta pela Box 1824 oferece uma visão clara e unificada do portfólio de projetos, permitindo que os líderes avaliem quais iniciativas priorizam a redução de custos, quais melhoram a experiência do cliente e quais têm potencial para gerar inovação.
Outra tendência é a crescente demanda por transparência e responsabilidade nas operações das empresas. À medida que os consumidores se tornam mais conscientes sobre questões sociais e ambientais, as empresas que adotam práticas responsáveis em suas iniciativas de IA estarão em uma posição mais forte para ganhar a confiança do público.
Além disso, a integração de tecnologias como machine learning e análise de dados em tempo real será essencial para a implementação bem-sucedida da metodologia proposta. As empresas que aproveitarem essas ferramentas para monitorar e ajustar suas estratégias de IA de forma ágil estarão melhor posicionadas para competir em um mercado em constante evolução.
Em resumo, a apresentação de Laura Kroeff no Fórum CEO Brasil 2026 não apenas lança luz sobre a importância de repensar as métricas de ROI em relação à IA, mas também destaca a necessidade urgente de adaptação e inovação nas práticas de negócios. À medida que mais empresas adotam essa nova abordagem, o impacto da inteligência artificial no mundo corporativo pode se tornar não apenas mais mensurável, mas também mais significativo.